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Silvio Negrão – artigo para CPFL Cultura

PALESTRA | A produção animal: nossos hábitos cotidianos e a ética global | Com Silvio Negrão 

 

Onde está a ética na produção agroindustrial de animais?

 

 

“Não posso fragmentar a ética. Se desejo agir eticamente, minha ação deve ser global, ela deve levar em conta todos os aspectos em que estou inserido. Precisamos abandonar a ética antropocêntrica e seguir a ética global” Silvio Negrão

 

Nós os usamos para alimentação, diversão, companhia e vestimenta, mas raramente nos questionamos sobre o significado do que estamos fazendo. Os animais foram historicamente colocados à disposição dos humanos, que se auto-intitularam a espécie superior, aquela que comanda e decide a sorte de todas as outras espécies. Será que essa atitude é ética? E a quais interesses atende o processo frenético de produção de animais para o abate? É saudável consumir animais criados em tais condições? – Essas foram algumas das questões lançadas pelo médico veterinário Silvio Negrão, especialista em biossegurança e doutor em Ciências Humanas, no encontro realizado na CPFL Cultura em Campinas, no dia 16 de outubro.

 

A produção de animais e seus resíduos
“Hoje não temos mais criação de animais, mas sim produção de animais”, afirma Negrão, após exibir os números estratosféricos do negócio no Brasil. Na divisão apresentada pelo veterinário, a população humana representa apenas 13% dos seres vivos no país, enquanto o rebanho bovino representa 14%, os suínos 2% e as aves de corte 55%. “Esses números podem parecer uma grande fartura, um trunfo comercial, mas devemos nos questionar sobre a quantidade de resíduos produzidos por todos esses animais. Um suíno, por exemplo, produz três vezes mais dejetos que um ser humano. São 78 milhões de metros cúbicos de dejetos de suínos produzidos por ano, só no Brasil. O que fazemos com esses resíduos? Mesmo se pensarmos em usar tudo isso como adubo para toda a nossa área agriculturável, essa quantidade ainda seria excessiva, então, hoje esse material é lançado no meio ambiente, nos lagos, rios e nascentes d’água, sem nenhum tratamento”.

 

Produção de ração
Outro ponto levantado por Negrão é a alimentação desses animais. Ele explica que boa parte dos grãos produzidos nos país, como a soja e o milho, é destinada para a produção de ração. “Os alimentos que damos aos animais são os mesmos que usamos para a nossa alimentação. Quando ocupamos um local para a plantação de grãos para ração, estamos perdendo terra agriculturável para produzir para o consumo humano. Além disso, quando usamos esses cereais para alimentar animais, o volume de carne produzido é infinitamente menor que o de cereais. Precisamos levar isso em conta, já que sabemos que cerca de 20% da população humana passa fome”.

 

Doenças
A composição das rações animais também é preocupante. Segundo Negrão, além dos grãos, as rações também contém uma farinha feita com as víceras, penas e ossos dos animais abatidos. Essas misturas podem causar reações indesejadas, como foi o caso da doença da vaca louca, resultado de uma ração feita com víceras de ovinos, dada aos bovinos. “Esses animais só não desenvolvem mais doenças porque as rações que eles consomem possuem uma infinidade de remédios que fazem com que eles suportem o ambiente hostil do sistema de manejo. Esses remédios, logicamente, permanecem na carne, no leite e nos ovos que consumimos”. O veterinário diz ainda que conhecemos muito pouco das reações que esses resíduos podem causar na saúde humana. Segundo um estudo feito pelo USDA – Departamento Americano de Agricultura – em 1990, 15 % de 1946 amostras de carne do país continham drogas que eles nem sequer sabiam identificar.

 

A ética global
Além de produzir uma infinidade de resíduos que freqüentemente colaboram para a poluição do ambiente, e utilizar-se de drogas que prejudicam a saúde dos animais e das pessoas que consumem sua carne e derivados, a produção agroindustrial mantém os animais em situação de sofrimento. “Temos galpões industriais que criam até 20 mil aves de uma vez. As luzes ficam constantemente acesas para que os animais não parem de comer e, assim, cresçam mais rápido”. Segundo ele, as vacas leiteiras são separadas de sua cria no momento do nascimento, para que o bezerro não consuma o leite que deve ser comercializado. Quando o animal está vinculado a sua cria, ele produz apenas o leite necessário para que ela se alimente. 

“Não podemos reivindicar um status moral privilegiado agindo dessa maneira… As empresas dizem que produzem porque desejamos os produtos, mas será que desejamos esse modelo de produção? Devemos nos questionar se este não é um hábito imposto, ou herdado”. A ética, na lógica deste modelo de produção, fica fragmentada em três esferas: a ética dos homens, a dos animais e a do meio ambiente. “Não posso fragmentar a ética. Se desejo agir eticamente, minha ação deve ser global, ela deve levar em conta todos os aspectos em que estou inserido. Precisamos abandonar a ética antropocêntrica e seguir a ética global”, afirma.

 

Após propor uma reflexão sobre as vistas grossas que a sociedade faz sobre o processo de produção agroindustrial de animais, Negrão explica que não deseja fazer uma apologia ao vegetarianismo, mas sim chamar a atenção para o ritmo alucinado imposto pela indústria, que está criando animais frágeis e doentes.

 

“Nem todas as pessoas têm condições de serem vegetarianas, outras não têm interesse de o ser, mas todos nós queremos ter hábitos saudáveis, inclusive os alimentares. Neste sentido, qualquer questionamento já é importante. Precisamos, pelo menos, parar de produzir animais e voltar a criá-los”, conclui.

 

Silvio L. Negrão é médico veterinário, especialista em Biossegurança, Mestre em Zootecnia – Qualidade e Produtividade Animal, Doutor em Ciências Humanas – Sociedade e Meio Ambiente, Ética e Bioética, professor universitário das disciplinas de Bioética, Deontologia e Saúde Animal no curso de Medicina Veterinária da Fundação Universidade Regional de Blumenau/FURB/SC. 

                                                                           Fernanda Bellei 

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Eduardo Viveiros de Castro – artigo para CPFL Cultura

CAFÉ FILOSÓFICO | A morte como quase acontecimento | Com Eduardo Viveiros de Castro 

 

 

 

“A morte não é um acontecimento… Quando ela me acontece, eu já não estou lá” – Eduardo Viveiros

 

 

O fim de tudo, o limite da vida, a morte. Todas as culturas humanas estão cientes dela, por isso criam mitos, crenças e religiões para entendê-la e aceitá-la. O antropólogo e etnólogo Eduardo Viveiros de Castro, estudioso dos povos indígenas do Brasil, traz essa discussão para o Café Filosófico com uma abordagem essencialmente antropológica – passando a pergunta para frente.

 

“Quando sou confrontado com uma questão filosófica, antes de olhar para dentro, como fazem os filósofos, eu olho para fora. Sou obrigado a olhar para o mais longe possível. O antropólogo, de alguma forma, é aquele que passa a questão para frente, ele pergunta para a população que ele estuda o que eles acham do problema… É muito comum imaginar que os problemas da humanidade são essencialmente os mesmos e o que varia são as respostas que as diferentes sociedades dão a essas questões, ao longo do tempo. Isso não é verdade! As questões não são necessariamente as mesmas, ao contrário, o que distingue as culturas são os tipos de questões que elas se colocam”.

 

Viveiros diz ainda que, sem dúvida, a morte sobrevém a todos e que não há nenhuma cultura que não esteja consciente disso, mas, o tipo de questão que a morte suscita nas sociedades humanas é muito diferente, até porque ela não é concebida da mesma forma e não é vivida da mesma forma em todas as sociedades.

 

 

Porque os homens morrem?
Viveiros explica que, para os índios, a morte poderia não existir. Então eles se colocam esta questão – Porque os seres humanos morrem e quando isso começou a acontecer? A resposta indígena é interessante. Para eles, tudo foi um grande equivoco. 

Uma entidade avisa a todos os índios que a morte irá passar de canoa e ela vai chamar. Mas não respondam a ela! Infelizmente, um desses índios se engana e responde ao apelo da morte. Desde então, todos nós temos a vida abreviada.

 

“Essa me parece uma explicação interessante, porque não há nenhuma culpa envolvida, não foi um ato de maldade que provocou nos homens esta condição mortal (ao contrário do que diz nossa religião cristã)”.

 

 

O poder dos mortos sobre os vivos
Os guaranis, ao contrário de nós, não têm nenhum medo da morte. Eles têm medo dos mortos, pois, para eles, os mortos continuam existindo. “Essa existência dos mortos é, na verdade, a grande questão para administração psicológica e sociológica da morte nessas sociedades. Não há o medo da morte da maneira enquanto problema que claramente caracteriza nossa sociedade, que cria essa verdadeira pornografia da morte, que deve ser escondida dos olhos”.

 

Segundo a crença indígena, os mortos se transformam em algo que não é humano. “Nós, e muitas outras sociedades humanas, entendemos que a morte é um processo que a rigor não rompe a relação do morto com o vivo, ao contrário, ela reforça as ligações dos mortos com os vivos. Eles serão para sempre nossos ancestrais, nos dão identidade”, explica Viveiros. “Já para os índios, os mortos são inimigos. Eles têm profunda raiva de terem morrido e desejam os vivos, por meio de sua saudade. Os mortos são perigosos, porque eles nos atraem, nos fazem pensar neles e nos deixam em um estado de melancolia que pode nos levar a morte também”. Para evitar que o morto volte para “assombrar” os vivos, todos seus pertences devem ser queimados e seu nome não pode ser pronunciado.

 

 

A morte – um quase acontecimento
“Nós temos um saber puramente teórico de que morremos, pois nosso saber visceral é de que a morte só acontece com os outros. Quando nós começamos a perceber que ela acontece conosco é porque já estamos morrendo. Portanto, em certo sentido, não é um acontecimento, pois ela só acontece a outrem e também porque quando você morre, você não existe mais para testemunhá-la. A morte é uma espécie de acontecimento paradoxal, ao mesmo tempo, como a gente sabe, ela é o único acontecimento que interessa”.

 

Já que a morte é o que permite que a emoção do acontecimento se coloque para nós, como seria se fossemos imortais? Viveiros comenta que, se fossemos imortais, nada aconteceria. “O mundo dos imortais é um mundo onde não acontece nada, pois tudo já aconteceu”.

 

Fernanda Bellei

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Luciana Ayer – artigo para CPFL Cultura

PALESTRA | Comer melhor para pensar melhor | Com Luciana Ayer 

 

A influência da alimentação no funcionamento de nosso cérebro é o tema que a nutricionista Luciana Ayer aborda na segunda palestra do móduloO futuro do corpo

 

 

Todos nós sabemos que precisamos nos alimentar bem para ter disposição, apresentar um bom desempenho físico e evitar doenças. Mas, segundo Luciana Ayer, os resultados de uma boa alimentação não se resumem a isso. A qualidade de nosso raciocínio, nossas idéias e pensamentos também têm influência imediata daquilo que consumimos. Isto é, quando estamos “debruçados” no trabalho e comemos um lanche industrializado e rápido qualquer, para não perder o tempo e a concentração, estamos, na verdade, minando todo um processo.

 

“Os nutrientes são necessários para formar tudo em nosso corpo. Para formar hormônios, enzimas, e, principalmente para formar os neurotransmissores – as substâncias que transmitem a mensagem de um neurônio para outro. Como qualquer outra célula, os neurônios são dependentes de nutrientes. E nós estamos um momento em que precisamos pensar melhor, precisamos estar com a cabeça lúcida para tomar decisões melhores”, explica a nutricionista.

 

Renovação de neurônios 
Um dos pontos importantes para o bom funcionamento do cérebro, segundo Luciana, é ter uma boa nutrição respiratória, pois é a respiração que vai ajudar o oxigênio a chegar aos neurônios. Outra função da respiração é a remoção de restos celulares e toxinas do cérebro – é isto mesmo! Os neurônios são renováveis. – “Até muito pouco tempo atrás, pouco mesmo, até o final dos anos noventa, a gente achava que neurônios não eram renovados, hoje sabemos que eles são renováveis como qualquer outra célula. A renovação acontece em todas as pessoas, nas que se alimentam bem e nas que se alimentam mal, mas o que a gente quer é uma renovação celular sadia para que possamos gerar células sadias”.

 

Os radicais livres 
A qualidade do sono também é essencial para o bom funcionamento dos neurônios. Luciana explica que é durante a noite, quando estamos dormindo profundamente, que liberamos a melatonina, que é aquele hormônio fundamental que tem a função de “varrer” os radicais livres do cérebro. Essa é uma substância antioxidante, produzidos por nós mesmos, mas nós só produzimos essa substância se nós estamos bem nutridos.

 

“Mas afinal, o que é um radical livre? Bem, entre 95% e 98% do oxigênio que respiramos se transforma em água – H2O. Mas o que acontece com o restante deste oxigênio que entramos em contato? Ele se transforma no que a gente chama de espécies reativas de oxigênio. A essas substâncias, nós chamamos de radicais livres. Formar até 5% de radical livre diariamente é fisiológico. O radical livre não é tão vilão assim ele tem seu lado mocinho. Um deles é o H2O2, que é a água oxigenada que, no organismo, tem a função de matar bactérias. Agora, quando nós nos nutrimos mal, fumamos e estamos em contato com poluição, nós passamos a formar muito mais de 5% de radicais livres e aí sim, esse excesso passa a ser tóxico para as células. O estresse também é um grande produtor de radicais livres”.

 

Quando não estamos adequadamente nutridos, principalmente de nutrientes que combatem a produção excessiva de radicais livres, que são os que chamamos de antioxidantes – vitamina C, vitamina E, celênio, zinco etc, – nós deixamos com os radicais livres comecem a produzir alterações nos neurônios.

 

Depressão
Já sabemos que todas as células precisam de nutrientes para desempenhar suas atividades. Muitas vezes, segundo Luciana, as pessoas não estão deprimidas, mas sim desnutridas “As pessoas deprimidas geralmente não têm vitalidade. Devemos nos perguntar se essa ‘desvitalização’, que está causando os sintomas depressivos não são, na verdade, resultado de uma desnutrição, e não resultado de um distúrbio psicológico. Não vamos ser levianos de dizer que só a nutrição pode tratar uma depressão, mas é um importante aspecto a ser observado”.

 

O que comer e o que não comer
Mas afinal, o que precisamos ingerir para estarmos, realmente, nutridos? Luciana explica que cada pessoa tem um organismo único, portanto, é difícil dizer o que devemos ou não devemos comer. Porém, existem algumas regras básicas, que a nutricionista sempre relembra em suas palestras:

 

Xenobióticos – os alimentos industrializados, ou “estranhos ao organismo” atuam de maneira prejudicial no organismo, prejudicando a absorção de nutrientes. O aspartame, o glutamato monossódico e a gordura trans, por exemplo, são três dos xenobióticos que mais causam problemas ao nosso corpo. Eles podem desencadear vários processos alérgicos que comprometem a saúde.

 

Alimentos nutritivos – leguminosas (ervilha, feijão, lentilha…) soja coagulada ou fermentada (tofu e missô), gorduras nobres, provenientes de sementes (gergelim, girassol, linhaça…), são, segundo Luciana, exemplos de alimentos que nutrem e protegem o organismo. Além desses, existem alimentos chamados de “neuro protetores”, que atuam diretamente na proteção das células, como o açaí, castanhas e o abacate. “Precisamos fazer testes, ver o que nosso corpo aceita e como ele responde a cada alimento, mas o mais importante é lembrar que devemos aumentar as frutas e vegetais. Não é preciso uma nutricionista para dizer isso, só precisamos olhar com mais carinho para o que estamos comendo”.

Fernanda Bellei

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Marcia Tiburi – artigo para CPFL Cultura

CAFÉ FILOSÓFICO | Tanatopolítica: regulamentos ocultos da morte dos outros | Com Marcia Tiburi 

 

Como lançar um olhar sobre a morte?O novo módulo de Café Filosófico, A morte como acontecimento, que tem curadoria do filósofo Daniel Lins, propõe uma outra visão – a da morte como parte indissociável da vida – é a proposta de ver a vida como uma bela arte:

É preciso, talvez, sair da nossa limitação cultural ocidental, para poder flertar com outra maneira de ver a morte que não seja essa maneira triste. Esse módulo vai falar da morte, mas, em momento nenhum, teremos necessidade de bater na madeira, porque esta morte como acontecimento é algo que não faz parte da vida, sobretudo no ocidente. É como se a morte fosse sempre a morte do outro, é sempre o outro que morre… Algumas culturas transformaram a morte em uma festa, mas, nós, que somos de uma cultura predominantemente cristã, é que deveríamos encontrar alegria na morte, pois, ao morrer, encontramos o eterno – Daniel Lins

Para iniciar o módulo, Daniel recebe a filósofa Marcia Tiburi, que dá o tom da conversa “Eu venho estudando esse tema há algum tempo, pois acho que quem se dedica às questões da vida não pode deixar de se dedicar às questões da morte… Vou analisar a questão da morte em relação com a vida, para entender qual a dialética que integra as duas faces da mesma história. Eu acredito que o que nós fazemos com nossa morte é o que fazemos com nossa vida, portanto,vou trabalhar o tema da tanatopolítica no sentido de buscar uma compreensão da integração da morte com a vida”.

Tanatopolítica – o regulamento oculto da morte dos outros.
A morte de uma pessoa próxima, ou mesmo a nossa própria morte, como indivíduos, costuma ser uma idéia assustadora. Mas pouco se pensa sobre os mecanismos de poder que determinam quem vive e quem morre. É sobre isso que trata a tanatopolítica.

Anossa primeira relação com a morte, se dá, segundo Marcia, com a morte dos outros. Ela afirma que, se conhecemos a morte, é porque o outro morre. “Eu trouxe esse tema porque acho que a morte dos outros é chocante, muitas vezes revoltante e fruto de uma injustiça. É a partir do estarrecimento que essa morte do outro nos causa que eu quero analisar questões relativas à ordem da vida, da forma que nós a vivemos hoje”.

Para discutir essa relação com a morte do outro, Marcia cita Michael Foucault que, segundo ela, é o primeiro pensador a desenvolver a teoria da tanatopolítica. “Foucault defende que, em nossos tempos, o que importa é a biopolítica. Ora, a tanatopolítica é o calculo que o poder faz sobre a morte, enquanto a biopolítica é o cálculo que ele faz sobre a vida. O poder é apresentado por Foucault como a dominação que um pode ter sobre o outro. Hoje nós já modificamos muito esse conceito e acreditamos que o poder pode ser uma coisa boa, pois vivemos em uma sociedade democrática onde não há nada mais normal que pensar que o poder também nos pertence. Mas isso nem sempre foi assim”.

O poder relatado por Foucault era o poder sobre a vida e a morte do outro. Segundo ele, esse poder foi se tornando muito absurdo, pois as democracias começaram a surgir, as sociedades começaram a se perturbar com isso e a própria ordem jurídica começou a questionar esse poder absoluto, então ele teve que deixar de existir enquanto ‘radicalidade de ação’ contra a vida do outro. Agora, ele deveria se realizar preservando a existência do outro. 

Poderes de controle da vida
Na sociedade moderna, portanto, não há mais a gestão e determinação da morte do outro, pelo sujeito que detém o poder, mas surge uma determinação do que pode ser feito com a vida do outro. “Foucault diz que, desde os tempos modernos,o exercício do poder em nossa sociedade é feito de maneira muito sutil,pois ele passa a determinar os modos de vida que você terá. Assim, obiopoder substitui o tanatopoder, eu não tenho mais a espada para ameaçar você, o meu subordinado, então, passo a determinar o modo como você vive, a relação com o que come, o que faz com a sua saúde, as roupas que usa, a sexualidade… Tudo isso está inserido em uma grande estrutura que Foucault chamou de’o cálculo que o poder faz sobre a vida’”. 

O homo sacer – a mera vida
Giorgio Agamben, um dos mais expoentes filósofos da atualidade, traz novos argumentos para a discussão da tanatopolítica. Ele cita um indivíduo, o homo sacer, que, ao mesmo tempo em que vive em sociedade, está excluído dela. Sua vida, segundo essa teoria, é um exemplo de manipulação pelo biopoder. “No livro ‘Homo Sacer’, Giorgio Agamben diz que o cálculo que o poder faz sobre a vida é um cálculo sobre um tipo de vidamuito específico. Essa vida que está em jogo não é a vida do homem dono do poder, que comanda a sociedade, mas sim aquela que se isola dessa existência política, é a mera vida, aquele corpo que vive em nossa sociedade mas não participa da esfera política. São aquelas pessoas manipuladas e excluídas…”

Exemplos de mera vida
Segundo a filósofa, essa mera vida existe no lado cinzento de nossa cultura. “Por exemplo, uma pessoa que está em coma, em um hospital, vulnerável, é uma mera vida. Se o enfermeiro for ético, ele pode deixá-la viver, senão, ele desliga os aparelhos por conta própria. O corpo do embrião dentre de meu ventre, também, pode ser tirado a qualquer momento. O cachorro que está na praça, o mendigo, que também vive na praça e não tem mais nenhuma participação na sociedade… Agamben defende que essa mera vida está dentro do cálculo do poder desde que a política existe.” 

Marcia explica que essa mera vida sempre foi manipulada e controlada, mas a sociedade sempre teve mecanismos de ‘tapar o Sol com a peneira’. “É como se a política antiga tivesse um cuidado com as aparências mas, hoje, nossa política contemporânea não tem mais problemas em tirar o véu que tapa o território das aparências. Vocês conhecem aquele sentimento de anestesia que experimentamos quando passamos ao lado de um mendigo? Esta anestesia explica, exatamente, o que o poder faz com a vida dos outros. E quando a vida desse outro não importa mais, é porque já assinamos embaixo da lei não escrita que essa vida pode ser eliminada”.

Tanatopolítica contemporânea – deixar morrer
Já não temos mais as grandes inquisições e condenações à pena de morte, mas, segundo Marcia, a sociedade contemporânea tem mecanismos sofisticados de manipulação da morte, em que se “deixa” morrer. Dentro de uma penitenciária, por exemplo, existem regimentos em que os próprios detentos se matam. “Esse deixar morrer é um modo de matar muito ‘suave’. Deixamos as crianças morrerem de fome, os nossos políticos matam os pobres de fome, pois praticam verdadeiros genocídios na medida que desviam o dinheiro da população… Aí está em jogo, de fato, uma tanatopolítica”.

Fernanda Bellei

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Ariel Bogochvol – artigo para CPFL Cultura

CAFÉ FILOSÓFICO | Sintomas no feminino: anorexia, bulimia, angústia, depressão | Com Ariel Bogochvol 

 

 

Trabalhar, ganhar dinheiro, ter sucesso profissional e pessoal, surpreender, estar sempre em forma, ser o melhor e estar sempre feliz: poucas pessoas ficam livre dessas cobranças no mundo contemporâneo. Com tantas exigências, desejos, coisas em mente e pouco tempo para conquistar tudo, algumas dessas pessoas somatizam as pressões sociais e desenvolvem psicopatias cruéis e difíceis de serem tratadas. Segundo o psicanalista Ariel Bogochvol, algumas dessas psicopatias tem incidência significativamente maior no sexo feminino. Seriam as mulheres as maiores vítimas do mundo contemporâneo?

 

Sintomas femininos 
Bulimia, anorexia, angústia e depressão não são apenas palavras femininas, são também doenças que tem nas mulheres suas maiores vítimas. Segundo dados apresentados por Bogochvol, a anorexia e a bulimia ocorrem dez vezes mais em mulheres, enquanto as angústias e as depressões são duas vezes mais comuns em mulheres do que em homens. Seria possível acreditar que, justamente quando alcançaram um lugar ao Sol, em uma sociedade historicamente patriarcal, as mulheres comecem a manifestar um mal-estar frente às novas responsabilidades? O psicanalista defende que sim.

 

“Ao mesmo tempo que, nas sociedades ocidentais contemporâneas, instalou-se uma nova figura social do feminino, que instituiu uma ruptura sem precedentes na ‘história das mulheres’, verifica-se entre elas um aumento epidêmico de sintomas como a anorexia, bulimia, angústia e depressão. Porque um avanço democrático aplicado à sua condição social e identitária foi acompanhado por uma intensificação de seu mal estar? Não deixa de ser um fato paradoxal e que contraria o bom senso. Pode se dizer que nunca, na história, a posição da mulher foi tão favorável, mas pode-se dizer também que ela nunca enfrentou os problemas que enfrenta agora. A civilização produz mal estar. Especialmente nas mulheres”.

 

Ariel Bogochvol explica que essa problemática foi levantada por Jorge Forbes no texto “A psicanálise do homem desbussolado”, por G. Lipovetsky, em “A felicidade paradoxal” e por Freud, em “Mal estar da civilização”.

 

A mulher desbussolada
“A hipermodernidade produz em nós todos, homens e mulheres, uma mudança subjetiva assim como a era vitoriana produziu as suas. Estamos em uma era de mudanças vertiginosas. Tudo é mutante, nada perdura, não há fixidez”, afirma Ariel, acrescentando que, sobre a mulher, pesam várias demandas: beleza, sensualidade, competência, decisão, suavidade, sensibilidade, maternidade, autonomia, inteligência, liberdade, comando, parceria e satisfação de suas aspirações. “São tantas exigências e possibilidades que há até uma onda nostálgica, criada por algumas mulheres, que sonha com a condição feminina de outrora”.

 

Entre as pressões que caem sobre as mulheres – e algumas sobre os homens também – uma das mais destacadas por Ariel é a obrigação do prazer, da satisfação e do gozo “Se a civilização da época de Freud era repressora e pregava o ‘não gozo’ hoje ela é liberal e imperativa – ‘goze!’… Essas duas posturas são marcadas por manifestações singulares do superego, nas vertentes da proibição ou do empuxe. Nas duas, o preço é o mal estar, e a este cada um responde como pode, com seus sintomas, inibições e angústias”, conclui.

Fernanda Bellei

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Mônica Waldwogel e Jorge Forbes – artigo para CPFL Cultura

CAFÉ FILOSÓFICO | O medo das mulheres | Com Mônica Waldwogel e Jorge Forbes 

 

Será que, no século 21, as mulheres ainda guardam diferenças marcantes dos homens, no que diz respeito à vida social? Quando o assunto é carreira, elas, em geral, “empacam” antes de chegar no ápice. Seria por medo? É isso que a jornalista Mônica Waldvogel e o psicanalista Jorge Forbes debatem no Café Filosófico realizado na CPFL Cultura em Campinas, no dia 19 de setembro.

 

Em busca da felicidade
Não seria correto afirmar que todas as mulheres são ávidas consumidoras de livros de auto-ajuda mas, segundo Mônica, estatísticas comprovam que elas são responsáveis por pelo menos 85% da compras desses produtos. Estariam elas procurando por uma “fórmula mágica” para atingir a felicidade?

 

“Me chama atenção o fato de que, não só no Brasil, mas no mundo todo, as maiores consumidoras de livros de auto-ajuda são as mulheres. Elas chegam a ser 85% a 90% dos consumidores desses livros que, de alguma forma, tentam dar uma receita para a felicidade, para o bom desempenho, para ser uma boa mãe, para conquistar um homem, etc… Enfim, nós lutamos tanto para chegar onde estamos, para sermos pessoas independentes e ter uma vida decente, mas depois precisamos comprar um livro para saber como lidar com a vida nas situações mais prosaicas! A impressão é que há um buraco de dúvidas e de inseguranças entre as mulheres que precisa ser preenchido”, afirma Mônica. 

Medo do sucesso
As mulheres já são maioria no ensino superior, mas muitas desistem de continuar a carreira, em certo ponto da vida. Mônica faz uma análise desse comportamento. “Nos países mais desenvolvidos, a gente tem hoje um grande número de mulheres de alta performance, que batalharam muito para conseguir se formar em faculdades excelentes e entrar em carreiras importantes, mas que desistem de tudo em determinado momento da vida. Segundo as estatísticas de um livro que eu li recentemente, 45% das executivas nos Estados Unidos e em países europeus desistem de suas carreiras quando estão perto do auge. E quando essas mulheres pedem para sair da empresa, elas recebem ofertas de aumento de salários e bônus, mas, ainda assim, elas respondem a tudo com uma frase central: ‘não é isso que eu quero para mim’. Isto é, ela batalhou tanto para chegar lá, mas depois decide que não quer aquilo”.

 

O que é uma mulher?
Afinal de contas, o que é ser uma mulher? Após afirmar que esta definição é impossível de ser feita, nem por uma mulher e ainda menos por um homem, Mônica cita Simone de Beauvoir e sua análise bombástica, feita no livro O segundo sexo, em 1949. “Simone afirma que uma pessoa não nasce mulher, ela se transforma em uma mulher, pois, ao ser definida pelos outros como uma mulher, ela já vem com uma série de condicionamentos sociais e culturais que a transformam naquele ser que é um cidadão de segunda classe – ou pelo menos era na época em que a Simone Beauvoir escreveu. Ou seja, as mulheres eram pessoas que sofriam um condicionamento cultural e não biológico. Ninguém é mais frágil, mais fraco ou mais inseguro porque é mulher, mas porque é ensinado a ser mulher. E a referência, isto é, quem dá o padrão, são os homens. A mulher é definida a partir do padrão masculino e, ao fazer isso, ela é colocada de uma maneira inferior. Segundo Simone de Beauvoir, o modo com que os homens olham as mulheres sempre foi dual: é uma mistura de deificação com degradação, de adoração e desejo ou de desprezo”.

 

Movimentos feministas
Os movimentos que reivindicavam igualdade entre homens e mulheres, com direito a mesmo tratamento e espaços de atuação, foram, segundo Mônica, um dos processos revolucionários mais bem sucedidos do século 20. Porém, ela faz uma ressalva: “O feminismo duro, da forma que foi colocado no começo, para garantir um empurrão inicial para as mulheres, produziu, por outro lado, um outro tipo de armadura. De repente, esse grupo de mulheres, que eram as feministas, determinavam para todas as outras mulheres o que era ser uma mulher, e então nós caíamos em mais uma armadilha. Segundo elas, somos todos iguais, homens e mulheres. Sendo todos iguais, temos as mesmas incumbências, os mesmos espaços, as mesmas obrigações e tratamento diante da lei… Mas acho que há um desconforto, há um mal-estar feminino diante disso”.

 

Armadura
Mônica recorda que, quando a Camille Paglia, uma intelectual antropóloga americana que convivia com as feministas na academia, assistia a ‘tábua de regras’ e a armadura que era produzida por elas, ela escreveu uma obra que questionou tudo isso, dizendo: nós estamos pondo a cultura acima da biologia, mas a biologia, de fato, tem a sua função. “Camille Paglia afirmava que a desigualdade pode ser cultural, mas a biologia existe e esses dois seres (homem e mulher) são diferentes. Paglia também fez uma pergunta muito interessante que ainda ecoa: Porque não há um Mozart mulher? Ora, dadas as condições, colocando todas as meninas na escola e dando a elas a liberdade, onde estão os gênios? Porque as mulheres não são Einstein, Beethoven ou Stephen Hawkings?… Porque elas não são gênios? Pelas mesmas razões pelas quais elas não são Jack, o extirpador. Os extremos são masculinos, diz ela Paglia. Os homens são geniais e pavorosos. Já as mulheres habitam uma espécie de centro da biologia, da antropologia e da cultura, porque a mulher tem uma conexão muito direta com a natureza, ela é da ordem da natureza, telúrica, da terra. Ela é um ser sujeito a influências das fases da Lua. Você pode fazer o planejamento que você quiser na sua vida, mas se naquele dia a Lua virou e você foi sujeita a ressaca, não há nada que possa ser feito. É um fato. Se você gera um bebê em sua barriga, em nove meses, você tem uma conexão com a natureza de uma ordem que talvez não nos permita habitar os extremos da genialidade ou do horror”.

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Mayana Zatz e Jorge Forbes – artigo para CPFL Cultura

CAFÉ FILOSÓFICO | O que a genética mudou na vida das mulheres? | Com Jorge Forbes e Mayana Zatz 

 

Desautorização do sofrimento

 

O que a geneticista Mayana Zatz e o psicanalista Jorge Forbes têm em comum? Ambos estão envolvidos em um projeto ímpar, que busca a melhoria da vida de pessoas que sofrem de distrofia muscular, uma doença genética que acomete inúmeros brasileiros. A parceria, que envolve o Centro de Estudos do Genoma Humano, coordenado por Mayana Zatz, o Projeto Análise, dirigido por Forbes e o Instituto de Análise Lacaniana, presidido por Forbes, propõe uma abordagem singular e, principalmente, ética no tratamento dessas pessoas. 

 

Pesquisa com células-tronco: polêmica ou salvação?

“… quando estávamos brigando pela aprovação dessa pesquisa, diziam que a gente ia arrancar bracinhos e perninhas de fetos. É importante que essas pessoas saibam do que estão falando”. Mayana Zatz

 

Muito se especula ainda sobre a integridade das pesquisas realizadas com células-tronco no país. A geneticista Mayana Zatz, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano e diretora presidente da Associação Brasileira de Distrofia Muscular, é uma das pessoas que, há anos, se empenha na árdua missão de esclarecer os objetivos e atividades daqueles que pesquisam as células-tronco, derrubando assim os mitos e preconceitos. No Café Filosófico realizado na CPFL Cultura em Campinas, no dia 12 de setembro, ela trouxe o tema para debate, após dar uma “aula” prática sobre o assunto.

 

As doenças genéticas
“Existem mais de 7 mil tipos de doenças genéticas conhecidas, que atingem mais de 3% da nossa população. Se pensarmos na população do Brasil, são 5 milhões de pessoas. Nos países de primeiro mundo, onde já foi resolvida boa parte das doenças infecciosas, as doenças genéticas são responsáveis por 50% das mortes nos primeiros anos de vida. Além disso, muitas doenças que acometem adultos têm um componente genético importante, entre elas: câncer, diabetes, doenças neuro-musculares, psiquiátricas, Parkinson, Alzheimer, etc”.

 

Mayana lembra que doença genética não é sinônimo de doença hereditária. A doença genética é aquela que atinge nosso material genético “É muito comum comunicar casais de que seu filho tem uma doença genética, e eles responderem: Mas como? Eu não tenho nenhum caso desse na minha família. Mas isso acontece freqüentemente. Uma doença genética não necessariamente é uma doença hereditária. O câncer, por exemplo, é uma doença genética, mas raramente hereditária”.

 

Células-tronco
Mayana explica que muitas das doenças genéticas poderão ser tratadas com células-tronco. “Existe toda uma pesquisa para entender como é que os genes funcionam… O que a gente mais quer é tentar tratar essas doenças genéticas e as células-tronco, que ainda estão sendo estudadas e que temos um longo percurso para usá-las em tratamento, são a grande esperança”. 

 

“A boa notícia é que algumas células permanecem em nosso corpo com características de células tronco, são as ‘células-tronco adultas’. Elas podem ser encontradas na polpa dentária, principalmente nos dentes de leite, na medula óssea, na gordura que tiramos do corpo por meio da lipoaspiração, na placenta e no cordão umbilical”. Mayana explica ainda que a diferença entre as células-tronco adultas e as embrionárias é que, enquanto as embrionárias conseguem formar todos os tecidos do nosso corpo, isto é, 216 tecidos, as adultas só conseguem formar alguns. E, principalmente, as células-tronco adultas não conseguem formar neurônios, as células nervosas, e elas são fundamentais para tratar doenças neuro-musculares, Parkinson e pessoas que ficaram paraplégicas ou tetraplégicas após sofrerem acidentes.

 

Células-tronco embrionárias – esperança para o tratamento de doenças genéticas
Mas como é que podemos obter as células-tronco embrionárias? Mayana explica que, hoje, elas são obtidas de embriões congelados que sobram nas clínicas de fertilização. “Os casais que têm dificuldade de engravidar recorrem a uma clínica de fertilização, onde são produzidos muitos embriões. A mulher toma uma droga para liberar óvulos, mas nunca sabemos exatamente quantos óvulos serão liberados. Se ela libera doze óvulos, os doze são fecundados com espermatozóides, mas implantam-se apenas os melhores. Uma vez que o casal teve todos os filhos que ele queria, sobram embriões nas clínicas. Depois de algum tempo, eles acabam sendo descartados. A nossa grande briga era conseguir que esses embriões congelados pudessem ser usados para pesquisa”.

 

Para que o público pudesse visualizar esses embriões, Mayana apresentou um slide que mostra um embrião fertilizado em comparação a um buraco de agulha – ele é inúmeras vezes menor. “Essa figura é muito importante porque quando estávamos brigando pela aprovação dessa pesquisa, diziam que a gente ia arrancar bracinhos e perninhas de fetos. É importante que essas pessoas saibam do que estão falando”

 

Em maio de 2008, o Supremo Tribunal decidiu que a Lei 11.105 de Biossegurança, que permite a pesquisa em células-tronco de embriões obtidos por fertilização in vitro e congelados há mais de três anos, desde que seus genitores autorizem a pesquisa expressamente, não fere a Constituição. A Lei já havia sido aprovada em 2005, mas depois foi alvo de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade do então procurador-geral da República, Cláudio Fonteles. Ele alegou que a legislação “feria a proteção constitucional do direito à vida e a dignidade da pessoa humana”.

 

Mayana Zatz é pró-reitora de Pesquisas da USP, Coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano e professora titular de Genética do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da USP. É membro da Academia Brasileira de Ciências, Academia de Ciências do Terceiro Mundo –TWAS – e Presidente-fundadora da Associação Brasileira de Distrofia Muscular (ABDIM). Atua em biologia molecular com enfoque em doenças neuro-musculares e pesquisas em células tronco.

Jorge Forbes é psicanalista e psiquiatra. Preside o Instituto da Psicanálise Lacaniana e dirige o Projeto Análise (www.projetoanalise.com.br). Dirige as pesquisas clínicas da Psicanálise com a Genética, no Centro de Estudos do Genoma Humano da USP. Tem sido consultado por empresas, hospitais e escolas. É autor, entre outros livros, de Você Quer o Que Deseja? (Ed. Best Seller, 5ª ed.), em que trata de uma psicanálise além do Édipo, própria ao novo homem desbussolado da globalização, e é co-autor e A Invenção do Futuro (Ed. Manole, 2ª ed).

Fernanda Bellei 

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